terça-feira, 28 de abril de 2009

Chegaste

Chegaste a mim empolgado, dobrado de tanto amor,
Vieste animado e dócil, com rosas amarelas nas mãos.

Eu disse não.
Doía dizer não.

Como sustar o coração atalhado?
Vieste faceiro, amealhando ouro, luz e paixão,
Olhando meus olhos como um cão,
Despindo-me só com a razão.

Eu disse não.

Como dizer sim?
Se abarrotado em mim há vácuo antigo?
Surgiste oferecendo tudo que nunca tive,
Doaste toda imensidão,
Perfeito homem dos sonhos,
Mas em vão.

Eu disse não.

Como consentir se há em mim esse desvão?
Contornaste a situação,
Sorrindo como camaleão,
Cantando coloridos tons.

Eu disse não.

Como fechar os olhos?
Se ainda me encontro andarilhando por outro coração?
Destarte, escreve-me todos os dias,
Partilhando imagens inusitadas,
Noites e madrugadas on-line,
Na tentativa apagada de um lance, uma chance.

Eu disse não.

A flor que no dias dos namorados me adornaste,
Na esperança de trocar a minha imaginação,
Estiolou sem força, pela ausência de coração,
Era outro que eu queria dedilhar a mão,
Trocaste a foto por uma toda ensolarada,
Pincelou os cabelos de cheiros almiscarados,
No sustento de um abraço.

Eu disse não.
Doeu dizer não.

Mas sem recurso imediato,
Privada de outros sonhos,
Digo não.

Transmutando em emoção,
No céu de minha alma,
Há um volúvel azul infernal,
Que pontua minhas entranhas,
Deixando-me fora do eixo,
Tirando-me de rotação...


São Pedro – SP - 01/08/2007 – 06h02min

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