E foi assim que a luz lentamente declinou lá no céu em rubro desaponto, deixando pra trás toda canção não entoada...Queríamos sorrir sem pressa, encontrando na saída um pouso, mesmo que, precário no mundo aditivado.
Saímos ilesos na tentativa, todos os miasmas grudaram imponentes na nossa retina, criando neblina, no roseiral interno...
Víamos passar pequenas estrelas, caídas em remota oração, despertando nostalgia, agrupando o frio intenso, que escorria do vento, na madrugada.
Pendurados na lua fria, respigada de ar rarefeito íamos buscando a base solar.
Nada conseguíamos, um passo em outro passo, sobrepostos entre o vento abrasador...
Talentos dispersos em vão, relembrando dias idos...
Sentamos a beira da fogueira, olhando o fogo quase inexistente, repensando nas idas e vindas seculares de nossas vidas entregues...
O vazio ora já preenchido por pequenas idéias, cheias de uma lembrança sem dor, saudade do tempo que mal recordávamos...
Passo largo, passo lento, a mente vagava inebriada em busca do verde esmeralda da grama, da terra marrom, da água...
Água... Como seria o gosto da limpidez? Séculos sem achá-la, sem bebê-la, ressequidos, sentindo o gosto principal pela folhas do tempo...
Não era o fim que assombrava, era sempre a eternidade, grudenta, a mostrar em vago escárnio o pra sempre daquela condição extraordinária...
Vórtice do ar, tempo a tempo, como caleidoscópio determinava a luz que iluminava... friamente o fogo arrogante... que sustentava o erro de nossas escolhas...
São Pedro - SP - 21/06/2009 – 12h17min



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